O placar final diz 5 a 4 para o Vegas Golden Knights. Só que ele não conta metade da história. O Jogo 3 contra o Carolina Hurricanes teve quatro gols de vantagem, apagão completo, recordes quebrados, goleiro trocado, empate com o atacante extra no gelo e uma decisão no segundo overtime em um chute que nem entrou limpo. Para uma final de Stanley Cup, foi caos em estado bruto. Para Vegas, foi alívio. Para Carolina, foi a sensação amarga de fazer quase tudo para ressuscitar e ainda assim sair derrotado.

A NHL confirmou a vitória de Vegas no T-Mobile Arena e a vantagem de 2 a 1 na série melhor de sete. O próximo jogo será na terça-feira, 9 de junho, às 20h no horário do leste dos Estados Unidos. Se a final já vinha barulhenta depois de dois jogos decididos por 5 a 4 e 4 a 3, o terceiro deixou a série em outro patamar: não há controle emocional confortável quando os dois times já provaram que conseguem virar partidas que pareciam encerradas.

Como Vegas abriu 4 a 0 e perdeu o controle

O primeiro gol que valeu saiu aos 10min26 do segundo período. Tomas Hertl aproveitou o power play e colocou os Golden Knights à frente. Dezesseis segundos depois, Mitch Marner fez 2 a 0. Ali começou a sequência que deveria ter matado o jogo. Marner marcou de novo aos 14min32 e completou o hat trick aos 16min52, transformando o placar em 4 a 0 e o ginásio em festa antecipada.

A sequência foi histórica. Marner marcou três gols em 6min10, o hat trick mais rápido da história das finais da Stanley Cup. O recorde anterior era de Maurice Richard, que havia feito três em 6min21 em 1957. Marner ainda deu assistência no gol de Hertl e virou o primeiro jogador da NHL a registrar quatro pontos em um período de final da Stanley Cup. Não é nota de rodapé: é uma daquelas estatísticas que sobrevivem décadas.

Vegas parecia ter resolvido a noite ali. A equipe vinha de uma derrota em overtime no Jogo 2, precisava retomar a frente na série e tinha um placar que, em final, costuma virar trava psicológica para o adversário. Só que o hóquei raramente perdoa time que confunde vantagem com sentença. O terceiro período desmontou essa ilusão em menos de um minuto.

Carolina fez três gols em 39 segundos

Brandon Bussi entrou no lugar de Frederik Andersen para começar o terceiro período. Andersen havia sofrido quatro gols em 16 chutes. A troca parecia controle de dano, mas virou combustível para uma reação absurda. Marner ainda teve um penalty shot defendido por Bussi aos 4min04, lance que, olhando depois, ficou maior do que parecia no momento. Se Vegas faz 5 a 0 ali, talvez a história morresse. Não fez.

Aos 7min03, Jordan Martinook diminuiu após pressão forte de Carolina. Aos 7min29, Taylor Hall fez o segundo. Aos 7min42, Jordan Staal desviou o puck e colocou 4 a 3 no placar. Foram três gols em 39 segundos, a sequência de três gols mais rápida da história das finais da Stanley Cup. O recorde anterior, de 56 segundos, pertencia ao Montreal Canadiens desde 1954. Em termos simples: Carolina transformou um jogo morto em um incêndio antes que Vegas conseguisse respirar.

O empate veio com 1min42 para o fim do tempo regulamentar. Com Bussi no banco e um jogador extra no gelo, Andrei Svechnikov marcou em power play e fez 4 a 4. Carolina se tornou apenas o segundo time na história das finais da Stanley Cup a apagar um déficit de quatro gols em uma partida. O New York Rangers já havia feito isso em 1972, mas também perdeu. Esse detalhe importa porque separa a reação monumental do resultado que fica na tabela.

Theodore decidiu em um chute estranho

A prorrogação teve 25min38 somando os dois overtimes. Não foi uma extensão elegante do jogo, foi sobrevivência. Vegas tinha a obrigação psicológica de não desmoronar de vez depois de entregar 4 a 0. Carolina tinha o impulso de quem acabara de provar que o impossível estava disponível. No fim, venceu um lance feio, direto e eficiente.

Shea Theodore chutou da direita aos 5min38 do segundo overtime. O puck bateu nas placas atrás do gol, voltou em direção à meta e acabou entrando após tocar em Bussi. Oficialmente, gol de Theodore. Em termos emocionais, uma facada para o goleiro que havia segurado o penalty shot e ajudado a empurrar Carolina até a prorrogação. Theodore jogou 39min09, mais do que qualquer outro atleta em quadra de gelo naquele jogo, e saiu como autor do gol que virou a série.

Carter Hart terminou com 29 defesas por Vegas. Bussi fez 18 defesas em 19 chutes depois de substituir Andersen. Brayden McNabb, usando proteção facial por lesões sofridas no Jogo 2, jogou 35min47, deu duas assistências e participou do lance da vitória. William Carrier deixou a partida no segundo período com lesão na parte superior do corpo, e Carolina não apresentou atualização imediata sobre sua condição.

O que o 2 a 1 muda na série

O 2 a 1 para Vegas não encerra nada, mas muda o peso do Jogo 4. Se os Golden Knights vencerem de novo em casa, empurram Carolina para uma desvantagem de 3 a 1. Se os Hurricanes responderem, a final volta empatada para Raleigh e a história do Jogo 3 vira menos trauma e mais prova de resistência. Esse é o ponto: a derrota de Carolina foi dura, mas não foi uma surra. Foi uma partida em que o time mostrou capacidade real de voltar de um buraco quase absurdo.

Para Vegas, a leitura é dupla. O time tem ataque para abrir placares rapidamente e jogadores decisivos em alta, com Marner liderando os playoffs em pontos e quebrando recordes na final. Ao mesmo tempo, permitir quatro gols em um período depois de liderar por 4 a 0 é o tipo de coisa que técnico nenhum aceita como detalhe. John Tortorella pode celebrar a vitória, mas o vídeo do terceiro período vai ser desconfortável.

Para Carolina, a questão é evitar romantizar a reação. Sim, marcar três gols em 39 segundos e empatar no fim é sinal de elenco vivo. Não, isso não apaga o segundo período em que Vegas empilhou gols e recordes. Em final, coragem sem começo limpo custa caro. O Hurricanes saiu com moral, mas sem a vitória. E em junho, moral não levanta a Stanley Cup.

JogoResultadoStatus da série
Jogo 1Vegas 5, Carolina 4Vegas 1-0
Jogo 2Carolina 4, Vegas 3 (OT)Empate 1-1
Jogo 3Vegas 5, Carolina 4 (2OT)Vegas 2-1
Jogo 4Carolina em Vegas, 9 de junhoA definir
O Jogo 3 teve o hat trick mais rápido e a sequência de três gols mais rápida já registrados em finais da Stanley Cup.

A final agora tem uma identidade clara: ninguém está seguro. Vegas já venceu dois jogos por 5 a 4. Carolina já ganhou em overtime e quase roubou uma partida que perdia por quatro. O Jogo 4 vai dizer se a noite histórica foi o começo de uma tomada de controle dos Golden Knights ou o tipo de susto que acorda de vez os Hurricanes.

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