A eleição mais polarizada da história recente colombiana não terminou no primeiro turno — apenas definiu os dois finalistas, e que finalistas. De um lado, um outsider da direita radical que cita Javier Milei e Donald Trump como referências. De outro, o herdeiro político da esquerda que governa o país. No meio, um presidente que já foi às redes contestar a apuração antes mesmo da poeira baixar.

O primeiro turno foi em 31 de maio. A diferença entre os dois primeiros colocados ficou em menos de três pontos percentuais — o suficiente para garantir um segundo turno disputado e imprevisível, marcado para 21 de junho.

Como ficou o primeiro turno

O resultado embaralhou as apostas. A direita tradicional, que esperava emplacar um nome consolidado, viu um estreante agressivo passar à frente. Veja os números dos principais nomes:

Candidato Posição política Votos válidos
Abelardo de la Espriella Direita radical (Defensores de la Patria) 43,77%
Iván Cepeda Esquerda (Pacto Histórico, aliado de Petro) 40,88%
Demais candidatos Centro e direita tradicional restante

Espriella construiu a campanha no tom do antiestablishment, mirando o eleitor cansado e prometendo mão dura. Cepeda, senador e figura histórica da esquerda, representa a tentativa de manter vivo o projeto iniciado por Petro — o primeiro presidente de esquerda da Colômbia. A eleição virou, na prática, um referendo sobre esse governo.

Quem são os dois finalistas

Abelardo de la Espriella é um advogado conhecido por causas de grande repercussão e por um estilo combativo. Declara admiração por Milei, na Argentina, e por Trump, nos Estados Unidos — o que sinaliza a agenda: choque liberal na economia, discurso duro em segurança e confronto com a esquerda regional.

Iván Cepeda trilhou o caminho oposto. Senador do Pacto Histórico, é nome ligado à pauta de direitos humanos e à base que sustenta Petro. Sua candidatura carrega o peso de defender o legado do governo atual num momento em que parte do eleitorado quer justamente virar a página.

Menos de três pontos separaram os dois finalistas no primeiro turno. Num segundo turno, os votos do centro e da direita tradicional — que ficaram pelo caminho — viram a moeda mais disputada das próximas semanas.

Petro questiona o resultado

Antes mesmo da consolidação dos números, o presidente Gustavo Petro foi a público levantar dúvidas sobre a apuração do primeiro turno. O gesto adiciona tensão a um pleito já inflamado e ecoa um roteiro que ficou comum mundo afora: o questionamento da lisura do processo eleitoral pelo lado que não larga na frente.

A institucionalidade colombiana terá de administrar esse ruído nas próximas semanas. Contestação de resultado, num ambiente polarizado, é combustível para a desconfiança — e o segundo turno tende a ser ainda mais áspero que o primeiro.

Por que o Brasil deve olhar para isso

A Colômbia é vizinha estratégica e peça da geopolítica sul-americana. Uma vitória de Espriella alinharia Bogotá ao bloco de direita da região e ao eixo Milei-Trump, mudando o tom em temas como comércio, migração, política antidrogas e a relação com a Venezuela. Uma vitória de Cepeda manteria a Colômbia mais próxima do campo de Lula e da centro-esquerda regional.

Para o Brasil, que faz fronteira com a Colômbia pela Amazônia, o resultado mexe com cooperação em segurança, meio ambiente e fluxo migratório. Não é eleição de país distante: é a definição de quem vai sentar do outro lado da mesa em assuntos que afetam diretamente a fronteira norte brasileira.

O que esperar a seguir

As próximas duas semanas serão de corrida pelos votos órfãos do centro e da direita tradicional. Quem conseguir traduzir esse eleitorado para o seu lado leva a eleição — e a margem apertada do primeiro turno sugere que tudo segue em aberto.

No dia 21 de junho, a Colômbia escolhe entre dobrar a aposta na esquerda ou dar uma guinada à direita radical inédita no país. O continente inteiro estará assistindo — e o Brasil, da janela ao lado. Acompanhe mais notícias do Mundo → no KronGazeta.

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