R$ 4,9 bilhões. É quanto o contribuinte brasileiro vai pagar para financiar as campanhas das eleições de 2026. O TSE divulgou a divisão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha — o Fundo Eleitoral — entre os 30 partidos com registro na Corte. E o partido que mais recebe é o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O PL ficou com R$ 881 milhões — a maior fatia individual. Na sequência vêm o PT, com cerca de R$ 615,4 milhões, e o União Brasil, com R$ 526,2 milhões. Esses três partidos sozinhos concentram 40% de todo o montante.
O ranking dos maiores repasses
| Partido | Repasse |
|---|---|
| PL | R$ 881 milhões |
| PT | R$ 615,4 milhões |
| União Brasil | R$ 526,2 milhões |
| PSD | R$ 421 milhões |
| Progressistas (PP) | R$ 417 milhões |
O domínio do PL no topo da lista reflete o tamanho da bancada do partido na Câmara e no Senado — e tem peso político óbvio no ano em que Flávio Bolsonaro desponta como pré-candidato e a direita busca consolidar força contra o governo Lula.
Como o dinheiro é dividido
A distribuição do Fundo Eleitoral não é aleatória. O TSE segue critérios definidos em lei, que privilegiam os partidos com mais representação. A fórmula:
- 2% divididos igualmente entre todos os partidos registrados na Corte
- 35% proporcionais aos votos obtidos na última eleição para a Câmara
- 48% conforme o número de deputados federais eleitos
- 15% de acordo com a representação no Senado Federal
Ou seja: quanto maior a bancada de um partido, maior a fatia. É um sistema que reforça os grandes e dificulta a vida das legendas pequenas e nascentes — uma das críticas recorrentes ao modelo. Quem já tem força ganha mais recursos para manter essa força.
De onde vem esse dinheiro
O Fundo Eleitoral é dinheiro público — sai do Orçamento da União, ou seja, dos impostos pagos por todos os brasileiros. Foi criado em 2017, depois que o Supremo proibiu doações de empresas para campanhas. A lógica era substituir o financiamento empresarial (visto como porta para a corrupção) por recursos públicos, mais transparentes e rastreáveis.
O valor cresce a cada eleição e gera debate permanente. De um lado, defensores argumentam que o financiamento público reduz a influência do poder econômico e equilibra a disputa. De outro, críticos questionam o tamanho da conta — R$ 4,9 bilhões poderiam custear políticas públicas — e o fato de o modelo concentrar recursos nos partidos já estabelecidos.
O que isso significa para a eleição
Dinheiro é combustível de campanha. Com R$ 881 milhões, o PL terá musculatura para bancar candidaturas em todo o país, produzir conteúdo, pagar estruturas e marcar presença nas redes — onde a IA e a desinformação já são um campo de batalha. O PT, com R$ 615 milhões, e os demais grandes partidos também terão recursos robustos.
Para o eleitor, o recado é de transparência: esse dinheiro é seu. Cada real do Fundo Eleitoral tem prestação de contas obrigatória ao TSE, e acompanhar como os partidos gastam é uma forma de fiscalizar o uso do dinheiro público. Em ano de eleição, vale prestar atenção não só em quem promete o quê — mas em quanto custou, e quem pagou, a máquina por trás de cada candidatura.
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