O remédio que virou símbolo do emagrecimento também virou caso de polícia e de saúde pública. Com a procura disparada e o preço alto nas farmácias brasileiras, muita gente passou a buscar atalhos — e o mais comum tem sido cruzar a fronteira com o Paraguai ou comprar de quem cruza. O problema é que esse atalho vem cobrando um preço alto demais.

O sinal mais grave veio de Santa Catarina: uma mulher morreu em Balneário Camboriú depois de usar uma caneta emagrecedora que teria sido contrabandeada do Paraguai e aplicada sem acompanhamento médico. Não é um caso isolado no radar das autoridades — a Anvisa investiga 65 óbitos suspeitos associados ao uso de substâncias como semaglutida, liraglutida e tirzepatida entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025.

O que está sendo apreendido

A fiscalização tem flagrado o problema na porta de entrada. Em 14 de maio, a Receita Federal apreendeu 126 canetas injetáveis do tipo Ozempic no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. Estavam na bagagem de um passageiro e foram identificadas pelo scanner.

As canetas não estavam armazenadas da forma correta e eram transportadas sem refrigeração — um detalhe que, sozinho, já compromete o medicamento. Some-se a isso a ausência de qualquer garantia de autenticidade, e o risco à saúde fica evidente.

Há ainda a falsificação pura e simples. A Anvisa determinou a apreensão de lotes falsificados do Mounjaro depois de um alerta da própria fabricante, a Eli Lilly, que identificou unidades diferentes do original em circulação. Os produtos, de origem desconhecida, tinham números de série inexistentes nos sistemas da empresa e diferenças nas embalagens.

Por que é tão perigoso

Três riscos se somam quando a caneta vem por fora:

  • Sem refrigeração — esses medicamentos exigem cadeia de frio. Transportados quentes, podem perder eficácia ou se degradar.
  • Sem autenticidade — pode ser falsificado, com dose errada ou substância diferente da do rótulo.
  • Sem acompanhamento médico — aplicados por conta própria, sem avaliação de dose, contraindicações ou efeitos adversos.

O resultado é uma combinação de fatores que transforma uma promessa de emagrecimento em um jogo de azar com a própria saúde.

O que a Anvisa está fazendo

A resposta regulatória veio em camadas. Em 14 de abril, a Anvisa vetou o uso e a venda de duas marcas paraguaias, a Gluconex e a Tirzedral — o que significa que não é mais permitido importar esses emagrecedores, nem mesmo para uso pessoal.

Medida Detalhe
Veto a marcas paraguaias Gluconex e Tirzedral proibidas (inclusive para uso pessoal)
Apreensão de falsificados Lotes de Mounjaro retirados após alerta da Eli Lilly
Controle de prescrição Receita em duas vias e retenção na farmácia, a partir de junho

A mudança mais sentida no balcão é a do controle de prescrição: a partir de junho, a venda passa a exigir receita em duas vias, com retenção de uma delas na farmácia. É o mesmo tipo de trava usado para outros medicamentos de uso controlado — uma forma de rastrear quem compra e coibir a venda sem prescrição.

O que o consumidor precisa saber

O recado das autoridades é direto: emagrecedor injetável não é item de compra de fronteira nem de venda informal. Comprar mais barato pelo Paraguai ou pela internet, sem receita e sem cadeia de frio, é assumir um risco que já se mostrou fatal.

Para quem tem indicação real desses medicamentos, o caminho seguro continua sendo o de sempre: avaliação médica, prescrição e compra em farmácia regularizada, com o produto rastreável. Pode custar mais caro — mas é a diferença entre um tratamento e uma aposta. Acompanhe mais notícias do Brasil → no KronGazeta.